segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O FUTURO DO SISTEMA SOLAR

Imagine que a espécie humana e o planeta Terra continuem bem por tempo indefinido. Como seria o sistema solar no futuro?

   As primeiras mudanças acontecem no céu, as constelações estão em uma distância suficientemente grandes de nós para que elas pareçam fixas no tempo de vida de um ser humano. No entanto, dentro de cerca de 100 mil anos, mais da metade delas vão se tornar irreconhecíveis. Isso acontece porque as estrelas não estão fixas no céu, elas interagem umas com as outras gravitacionalmente e, portanto, possuem uma velocidade. Aliás, se os seres humanos estiverem vivos até lá, provavelmente nossos signos terão de ser alterados (PONTO PARA A ASTRONOMIA!).

   Ainda se tratando do céu, um milhão de anos é a estimativa máxima para que a estrela, gigante vermelha, Betelgeuse exploda em uma super nova. E quando isso acontecer ela deixará de ser a nona estrela mais brilhante do céu e se tornará a mais brilhante, inclusive com um brilho maior do que o da Lua. As supernovas liberam tanta energia e esta está tão perto do nosso Planeta, que é muito provável que ela seja visível até de dia!Mas isso não acontecerá com o nosso Sol, simplesmente, porque ele é uma estrela pequena que não possui massa o suficiente para explodir. A atual expectativa de vida do Sol, aponta para que ele tenha 10 bilhões de anos. Os primeiros 5 serão relativamente tranquilos, o problema são os outros 5.

   Estrelas são corpos em equilíbrio hidrostático. Isso significa que a força gravitacional que tenta fazer o sol ser compactado, é contrabalançada pela pressão interna proveniente da fusão nuclear, que tenta fazer o Sol expandir. E esse equilíbrio é relativamente estável, pelo menos enquanto o Sol estiver em sua fase de sequência principal, que é quando ele funde hidrogênio em hélio. Vai chegar uma hora que o hidrogênio vai acabar e todo o hélio que sobrou da fusão do hidrogênio precisa de uma temperatura ainda maior para que a fusão nuclear ocorra. É nesse momento que a fusão do hidrogênio para de acontecer, que a gravidade ganha e a estrela começa a encolher. Quando isso acontece a pressão e a temperatura do núcleo aumentam e isso permite que o hélio se funda em carbono.

    O problema é que a fusão de hélio libera uma quantidade de energia muito maior que a de hidrogênio e com isso, esse equilíbrio, entre força gravitacional e pressão interna é quebrado novamente. E dessa vez, a pressão interna ganha fazendo com que as camadas externas do sol se expandam, tornando o Sol oficialmente em gigante vermelha. Até aqui, as orbitas de Mercúrio e Vênus já terão sido engolidas e quando isso tiver acontecido, a Terra já não vai ser habitável. A temperatura na superfície vai aumentar, os oceanos vão evaporar e praticamente toda vida que nós conhecemos não será mais possível neste planeta. Mas imagine que de alguma maneira a gente consiga “empurrar” a Terra para uma orbita mais segura. Neste caso quem sabe estaremos vivos para presenciar a colisão entre a Via láctea e Andrômeda.  

   Andrômeda é uma galáxia que está situada a 2,4 milhões de anos luz daqui e as duas galáxias estão em rota de colisão com uma velocidade relativa de aproximadamente 100km/s. de acordo com simulações, a colisão acontecerá dentro de 4 bilhões de anos e o céu noturno ficará simplesmente incrível! Principalmente porque estamos a uma distância relativamente segura disso tudo. Embora colisão de galáxias sejam um evento colossal, a probabilidade que duas estrelas colidam é muito pequena. A estrela mais próxima do sol, por exemplo, fica a 4 anos luz daqui.

   Ou seja, o espaço interestelar é muito grande e muito vazio. Então provavelmente, nada de mal aconteceria com os seres humanos por causa disso. O problema é alguma estrela passar perto o suficiente para perturbar as orbitas dos planetas ou dos bilhões de cometas que orbitam o sol no sistema solar. Se nós estivéssemos vivos até aqui, dois desfechos são prováveis. Ou o planeta seria expulso do sistema solar e jogado no espaço interestelar, então somente os organismos independentes da luz do Sol sobreviveriam, como os extremófilos que vivem em fissuras no fundo dos oceanos se alimentando de energia geotermal e geoquímica, ou a nossa nova orbita em torno do sol corre o risco de ser inviável à vida.

   Ainda que nós consigamos sobreviver a isso tudo, existe algo do qual a gente não consegue fugir, que é o próprio fim do universo. Nossos dados atuais nos mostram que não há densidade de matéria suficiente para retardar e desacelerar o processo de expansão do universo. As estrelas precisam de nuvens de gás para se formarem. Quando supernovas ocorrem, elas liberam todo aquele material do qual ela se formou de volta para o espaço. O problema é que estrelas, como o sol, não morrem em supernovas, e essas, que são a maioria no universo, morrem de uma forma “egoísta”, mantendo a maior parte dos átomos que ela utilizou para se formar confinados em uma esfera densa.

   Pulsares, anãs brancas e buracos negros têm isso em comum. Ambos aprisionam uma parte da matéria que os formou e não devolvem para o espaço. Ou seja, cada vez menos estrelas estão se formando. Se os seres humanos e a Terra estivessem bem até lá, chegaria uma hora em que a via láctea inteira só teria umas 100 estrelas brilhando. O céu noturno estaria cada vez mais escuro, o universo iria esfriar e eventualmente tudo alcançaria a mesma temperatura. E esse é o verdadeiro fim do mundo, ou melhor, do sistema solar, ou melhor ainda, do universo.

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