Imagine que a espécie humana e o planeta Terra continuem bem
por tempo indefinido. Como seria o sistema solar no futuro?
As primeiras
mudanças acontecem no céu, as constelações estão em uma distância
suficientemente grandes de nós para que elas pareçam fixas no tempo de vida de
um ser humano. No entanto, dentro de cerca de 100 mil anos, mais da metade
delas vão se tornar irreconhecíveis. Isso acontece porque as estrelas não estão
fixas no céu, elas interagem umas com as outras gravitacionalmente e, portanto,
possuem uma velocidade. Aliás, se os seres humanos estiverem vivos até lá,
provavelmente nossos signos terão de ser alterados (PONTO PARA A ASTRONOMIA!).
Ainda se tratando
do céu, um milhão de anos é a estimativa máxima para que a estrela, gigante
vermelha, Betelgeuse exploda em uma super nova. E quando isso acontecer ela
deixará de ser a nona estrela mais brilhante do céu e se tornará a mais
brilhante, inclusive com um brilho maior do que o da Lua. As supernovas liberam
tanta energia e esta está tão perto do nosso Planeta, que é muito provável que
ela seja visível até de dia!Mas isso não acontecerá com o nosso Sol,
simplesmente, porque ele é uma estrela pequena que não possui massa o
suficiente para explodir. A atual expectativa de vida do Sol, aponta para que
ele tenha 10 bilhões de anos. Os primeiros 5 serão relativamente tranquilos, o
problema são os outros 5.
Estrelas são corpos
em equilíbrio hidrostático. Isso significa que a força gravitacional que tenta
fazer o sol ser compactado, é contrabalançada pela pressão interna proveniente
da fusão nuclear, que tenta fazer o Sol expandir. E esse equilíbrio é
relativamente estável, pelo menos enquanto o Sol estiver em sua fase de sequência
principal, que é quando ele funde hidrogênio em hélio. Vai chegar uma hora que
o hidrogênio vai acabar e todo o hélio que sobrou da fusão do hidrogênio precisa
de uma temperatura ainda maior para que a fusão nuclear ocorra. É nesse momento
que a fusão do hidrogênio para de acontecer, que a gravidade ganha e a estrela
começa a encolher. Quando isso acontece a pressão e a temperatura do núcleo
aumentam e isso permite que o hélio se funda em carbono.
O problema é que a fusão de hélio libera uma
quantidade de energia muito maior que a de hidrogênio e com isso, esse equilíbrio,
entre força gravitacional e pressão interna é quebrado novamente. E dessa vez,
a pressão interna ganha fazendo com que as camadas externas do sol se expandam,
tornando o Sol oficialmente em gigante vermelha. Até aqui, as orbitas de Mercúrio
e Vênus já terão sido engolidas e quando isso tiver acontecido, a Terra já não
vai ser habitável. A temperatura na superfície vai aumentar, os oceanos vão
evaporar e praticamente toda vida que nós conhecemos não será mais possível neste
planeta. Mas imagine que de alguma maneira a gente consiga “empurrar” a Terra
para uma orbita mais segura. Neste caso quem sabe estaremos vivos para
presenciar a colisão entre a Via láctea e Andrômeda.
Andrômeda é uma
galáxia que está situada a 2,4 milhões de anos luz daqui e as duas galáxias
estão em rota de colisão com uma velocidade relativa de aproximadamente 100km/s.
de acordo com simulações, a colisão acontecerá dentro de 4 bilhões de anos e o
céu noturno ficará simplesmente incrível! Principalmente porque estamos a uma
distância relativamente segura disso tudo. Embora colisão de galáxias sejam um
evento colossal, a probabilidade que duas estrelas colidam é muito pequena. A
estrela mais próxima do sol, por exemplo, fica a 4 anos luz daqui.
Ou seja, o espaço
interestelar é muito grande e muito vazio. Então provavelmente, nada de mal
aconteceria com os seres humanos por causa disso. O problema é alguma estrela
passar perto o suficiente para perturbar as orbitas dos planetas ou dos bilhões
de cometas que orbitam o sol no sistema solar. Se nós estivéssemos vivos até
aqui, dois desfechos são prováveis. Ou o planeta seria expulso do sistema solar
e jogado no espaço interestelar, então somente os organismos independentes da
luz do Sol sobreviveriam, como os extremófilos que vivem em fissuras no fundo
dos oceanos se alimentando de energia geotermal e geoquímica, ou a nossa nova
orbita em torno do sol corre o risco de ser inviável à vida.
Ainda que nós
consigamos sobreviver a isso tudo, existe algo do qual a gente não consegue
fugir, que é o próprio fim do universo. Nossos dados atuais nos mostram que não
há densidade de matéria suficiente para retardar e desacelerar o processo de
expansão do universo. As estrelas precisam de nuvens de gás para se formarem. Quando
supernovas ocorrem, elas liberam todo aquele material do qual ela se formou de
volta para o espaço. O problema é que estrelas, como o sol, não morrem em
supernovas, e essas, que são a maioria no universo, morrem de uma forma “egoísta”,
mantendo a maior parte dos átomos que ela utilizou para se formar confinados em
uma esfera densa.
Pulsares, anãs
brancas e buracos negros têm isso em comum. Ambos aprisionam uma parte da matéria
que os formou e não devolvem para o espaço. Ou seja, cada vez menos estrelas
estão se formando. Se os seres humanos e a Terra estivessem bem até lá,
chegaria uma hora em que a via láctea inteira só teria umas 100 estrelas
brilhando. O céu noturno estaria cada vez mais escuro, o universo iria esfriar e
eventualmente tudo alcançaria a mesma temperatura. E esse é o verdadeiro fim do
mundo, ou melhor, do sistema solar, ou melhor ainda, do universo.
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